terça-feira, 7 de agosto de 2012


AMANTES

Palavra. A cantora Maria Bethania falava sobre a importância da palavra. Desde criança ouvia sua mãe cantar de maneira divina. E a palavra foi entrando em sua vida dessa forma. Seu pai era dono de uma voz encantadora e tinha o hábito de recitar poemas, decorados, pelos corredores da casa. O lar era repleto de livros. Espaço de encontro de artistas, poetas, músicos... Foi assim, dizia Bethania, que ela aprendeu a dar tanto valor à palavra. Quando ouve alguém dizer em buscar um texto na internet sente pena! Ela gosta de estar com o livro, tocar, sentir! Adora pegar um livro que leu há muitos anos, cantar a mesma música de vinte ou trinta anos atrás... e sentir naquele mesmo texto,  música, as mesmas emoções, ou emoções diferentes, descobrir coisas novas que haviam passadas desapercebidas...
Acho que foi essa sensação que tive ao deparar com um livrinho (no melhor sentido da palavra), de Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”. Comecei a folhear de maneira descomprometida, ler algumas linhas, e quando me vi estava envolvido como se tivesse necessidade de continuar a leitura. Por puro prazer. Entendi o que Bethania falava.
É impressionante a forma em que a “Nordestina”, personagem central do livro, vai sendo apresentada. Ela é um não ser! Só para recordar:

“...quero neste instante falar da nordestina. É o seguinte: ela como uma cadela vadia era teleguiada exclusivamente por si mesma...”

Depois diz que a “moça, vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem o melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando.”

E ainda que “ela era incompetente. Incompetente para a vida. Faltava-lhe o jeito de se ajeitar.”
Bethania e Clarice Lispector têm uma coisa em comum. Ambas são amantes da Palavra.  Lidam com o verbo de forma genuína. É uma riqueza que caso algum desavisado ainda não tenha desfrutado, sugiro “A Hora da e Estrela” como primeira experiência e que vejam e ouçam “Oração ao Tempo”. Tirem suas próprias conclusões.




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

86ª Festa de Nossa Senhora Achiropita
Hoje falarei da 86ª Festa de Nossa Senhora Achiropita, aberta no dia 04 de agosto e se estenderá até o dia 02 de setembro, na Rua 13 de Maio, no bairro do Bixiga. O leitor poderia perguntar: o que tem a ver os negros com esta festa italiana? Tudo, visto que o Bixiga é um bairro negro na sua origem. A população negra vai se fixar nas baixadas do Saracura, - onde hoje a Av. 9 de Julho e a sede da escola de samba Vai Vai - local que servia como abrigo para escravos fugidos, vindo das mais diversas regiões de São Paulo, mostrando a presença negra aqui, ainda no século XIX. Os italianos vieram depois e quando esta região se tornou oficialmente um bairro, já havia a presença maciça desta população, que vai influenciar a cultura deste lugar, pois trouxeram para São Paulo, dentre outros elementos culturais, a devoção a Nossa Senhora Achiropita, cujo dia é celebrado em 15 de agosto. Em torno desta devoção é feita uma festa, que hoje está na sua 86ª edição e é a mais tradicional festa italiana do Brasil, evento que faz parte do calendário turístico da cidade. O evento é realizado por mais de 1000 voluntários que produzem pratos típicos italianos consumidos durante os finais de semana de agosto. A festividade é uma homenagem da comunidade italiana à padroeira do bairro, Nossa Senhora Achiropita, termo calabrês que significa “imagem não pintada pela mão do homem” e que começou com a chegada das primeiras levas italianas, grande parte da região da Calábria e que se instalaram no bairro, no início do século passado. A devoção dos imigrantes contagiou a comunidade e virou símbolo de religiosidade, fé e esperança, que atrai milhares de pessoas de todas as regiões da capital e do país, para homenagear a santa padroeira e saborear as comidas típicas, preparadas pelas “mamas”, que tornam o ambiente ainda mais festivo. Vale frisar que em todo o mundo só existem duas igrejas dedicadas a Nossa Senhora Achiropita, a nossa no Bixiga (Bela Vista), São Paulo e a outra na Régio Calábria, sul da Itália. Para saber mais entre no site www.achiropita.org.br.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

ANIVERSARIO DO GILSON! QUE DELICIA!

Oi querido Gilson!!
Iniciando mais um ano de vida heim!


Tempo... tempo...  tempo...  tempo... “éis um senhor tão bonito”! Sim, o tempo e o “senhor” também.  E o que fizestes com o tempo? No tempo? Pelo tempo? juntinho dele? O que criastes querido, tudo! Te constitui, te compõe, te constrói...

“Aproveitar o tempo" deve ser sentido como "DEGUSTAR CADA INSTANTE".

Dizem que o tempo está passando muuuuito rápido, eu também sinto, mas neste mês de julho estavas em férias na cidade de Recife, com familiares e amigos, e foram tantas intensidades sentidas que, tenho certeza, te fizeram sentir que o tempo passava puxado por uma tartaruga velha ...  e que deliiiicia ter vivido este sentimento!!

Passagem rápida do tempo é uma situação real?
O tempo passa por nós?
Ou somos nós que passamos pelo tempo?
O tempo nos constrói ou nós o construímos?
Por que nas diferentes fases da vida o sentimos numa velocidade diferenciada?

Vamos combinar uma coisa?
Vamos Saborear melhor cada amigo, cada família, cada comida deliciosa, arriscar uma receita diferente não só no final de semana, chamar os amigos para compartilhar os temperos, ver o marrrrrrrr!!!!!! viajar, de preferência com um(a) amigo (a) que aprecie um bom café, uma boa música, um bom silêncio...

Meu querido Gilson.
Fico feliz por mais um ano de vida! Mais um ano é só um pedacinho do muito que ainda falta, mas este muito tem que ser prazeroso, por que viver muito só com tesão e gozo!!! Eu sei que nem queres morrer, confesso que sem gozo a vida há de minguar! Sem sonho, sem afeto e a beleza poética a vida vai sempre na contramão do que sentimos e pensamos acerca do que é a felicidade!!

Estes dias ouvi uma frase que diz: “Sou feliz todos os dias pela manhã quando consigo acordar antes de morrer!” Li também Luis Fernando Veríssimo que poetisa: “Eu sei que não vou viver para sempre, mas morrerei tentando!”
Lindo! Brilhante! Espetacular! Bárbaro! Huuuuuuuu- ruuuuu!!!

Tudo isso é uma homenagem à Vida... que eu te a faço através de mim!!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

AOS MEUS AMIGOS



Estou aproveitando minhas férias ouvindo música do meu tempo de menina."Recordar é viver". Vanuza, Ronie Von e outros que graças ao acervo virtual é farto para matar a saudade.Esta música cantada pelo Ronie Von é uma delícia de ouvir.

A Praça

Hoje eu acordei com saudades de você
Beijei aquela foto que você me ofertou
Sentei naquele banco da pracinha só porque
Foi lá que começou o nosso amor
Senti que os passarinhos todos me reconheceram
Pois eles entenderam toda a minha solidão
Ficaram tão tristonhos e até emudeceram

Aí então eu fiz esta canção: 
                              
A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores o mesmo jardim
Tudo é igual mas estou triste
Porque não tenho você perto de mim
Beijei aquela árvore tão linda onde eu
Com meu canivete um coração eu desenhei
Escrevi no coração o meu nome junto ao seu
E meu grande amor então jurei
O guarda ainda é o mesmo que um dia me pegou
Roubando uma rosa amarela prá você
Ainda tem balanço, tem gangorra, meu amor
Crianças que não param de correr
Aquele bom velhinho pipoqueiro foi quem viu
Quando envergonhado, de amor eu lhe falei
Ainda é o mesmo sorveteiro que assistiu
Ao primeiro beijo que lhe dei.
E a gente vai crescendo, vai crescendo, o tempo passa
E nunca esquece a felicidade que encontrou
Sempre eu vou lembrar do nosso banco lá na praça
Foi lá que começou o nosso amor.


Composição de Carlos Imperial e interpretação de Ronnie Von.


terça-feira, 31 de julho de 2012


APOLOGIA



Por três semanas o espaço da terça-feira, neste blog, ficou vazio de postagem. Eu estava de férias do trabalho. Viajando. Isso não significa férias das postagens no blog, como bem disse meu amigo Gilson dias anteriores, pois as férias seriam momentos férteis para escrever.  Até acho que ele tenha razão. Tentei ser fiel a esse compromisso, mas não deu. Solicitei ajuda, e ainda assim não deu.  Desculpem a ausência.
Muita gente está acostumada a uma leitura despretensiosa em período de férias. Entre uma praia e outra... jogado em uma rede... sentado debaixo de uma árvore... nada melhor que ler algo que combine com tudo isso para o momento ficar ainda mais especial. O livro que me acompanhou nos dias que estive de férias foi “Variações sobre o prazer”, de Rubem Alves, presente de aniversário. É uma espécie de apologia ao prazer, à alegria, à beleza, mostra como ocasiões, fatos, que, aparentemente, tão sem importância como “empinar pipa, rodar pião, jogar sinuca, armar quebra-cabeças, pular corda, jogar xadrez...” podem ser o que de fato faz a diferença na vida e para a vida. Pergunta o autor: “haverá atividades mais tolas que essas? Tolas, sim, quando analisadas do ponto de vista da razão instrumental: ao final tudo fica do mesmo jeito. Nada é produzido… mas o corpo discorda. As ideias do meu corpo não são as ideias  da minha cabeça. De fato, o mundo fica do mesmo jeito, diz o corpo. Mas não eu. Eu fico alegre. E a alegria se basta. Ela não deseja nada além dela! E assim, alegremente, o corpo deixa o trabalho para brincar. Um brinquedo é um objeto com que se faz amor, um objeto amado. E, cada objeto amado è o centro de um paraíso. O Paraíso mora dentro de uma caixa de brinquedos.”
Assim, amigos, retomo esse espaço do blog fazendo um convite à brincadeira, à desimpotância: jogar conversa fora, sair com os amigos, sentir a natureza, andar descalço, ver o por do sol, molhar-se na chuva, brincar de roda, ouvir música, comer poesia...