terça-feira, 20 de maio de 2014

ESTRELAS


Tenho estado mais tempo em conato direto com as crianças e esta experiência nova me faz lembrar de diferentes situações vividas no acompanhamento pedagógico. Estes dias recentes foram de sensível contato com meninos que choram, meninas alegres e tristes, risos inocentes, crianças frágeis na pele de leões... ai eu lembrei de Luana, uma menina poetisa que conheci no Jardim Santo André, Zona Leste de São Paulo, e que me emocionou em 2012 ao dedicar um pequeno e grandioso livro com suas poesias. É com prazer que vou publicar algumas para os leitores deste Blog. A primeira tem o título desta postagem.

 

Nós brilhamos nas estrelas
Bate forte o coração
Como se fosse viver uma nova emoção
Sinto-me mais segura
Morando aqui encima
Pois no mundo há tanta maldade
Não existe liberdade.
Mas no meio das estrelas
Fico Livre! Esquento as veias!
Sem precisar me preocupar
Pois não preciso mais chorar
Para o mundo melhorar.

Luana Monção

Saudade de você!
Por onde andas?

Gilson Reis

21.05.14

domingo, 11 de maio de 2014

DONA JUDITE! Ou se quiser: Dite



Tem uma mulher eterna lá no nordeste
De índole inconteste
Nem precisa fazer um teste
Pra eternidade alcançar!





Sabe que o “céu não é perto”
De tanta labuta desafiar
Mas tem uma fé danada
Que qualquer montanha pode alcançar!



Dizem que a fé remove montanhas
A dela nem precisa remover!
Com galhos santos transforma
Uma febre, um encosto ou outro estado de ser!


Tem fé que precisa de fé
Pra se aprumar de pé!
Acho que essa é a minha
As vezes ta fincada no mastro
Outras vezes nem se alinha!


A dela é rocha e fibra misturada!
Tem sei lá quantos “megabytes” de fortaleza!
Se eternidade não alcançar
É por que seus “fios” num quiseram dela se alembrar!





Eu daqui mando um cheiro
Pra essa mulher fibra de lá!
No nordeste se fincou
Mas deixou filhos voar!

Essa mulher é mamãe
Dona Judite ou Dite!
Mulher que aprendi a amar



Gilson Reis
Um dia das mães           

domingo, 4 de maio de 2014

FRORBELA ESPANCA!

Esta semana assisti ao Filme Frorbela, biografia da Poetisa Frorbela Espanca. Esta mulher morreu de tristeza e deixou uma história intensa. Uma mulher que não se supria de nenhum amor... por isso escolhi este poema.

AMAR
Eu quero amar, amar perdidamente! 
Amar só por amar: Aqui... além... 
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... 
Amar! Amar! E não amar ninguém! 

Recordar? Esquecer?Indiferente!... 
Prender ou desprender? É mal? É bem? 
Quem disser que se pode amar alguém 
Durante a vida inteira é porque mente! 

Há uma Primavera em cada vida: 
É preciso cantá-la assim florida, 
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! 

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada 
Que seja a minha noite uma alvorada, 
Que me saiba perder... pra me encontrar... 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"


Florbela Espanca, batizada como Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa, nasceu em 8 de dezembro de 1894, Vila Viçosa, Portugal, e faleceu em 8 de dezembro de 1930, Matosinhos, Portugal.


Por Gilson Reis
04.05.14

quinta-feira, 24 de abril de 2014

MEDALHA DE SÃO JORGE


Salve Sao Jorge Guerreiro! 
                                              


jeffcelophane.wordpress.com
Fica ao meu lado, São Jorge Guerreiro
Com tuas armas, teu perfil obstinado
Me guarda em ti, meu Santo Padroeiro
Me leva ao céu em tua montaria
Numa visita a lua cheia
Que é a medalha da Virgem Maria
flick.com
Do outro lado, São Jorge Guerreiro
Põe tuas armas na medalha enluarada
Te guardo em mim, meu Santo Padroeiro
A quem recorro em horas de agonia
Tenho a medalha da lua cheia
Você casado com a Virgem Maria

amoemociones.blogspot.com
O mar e a noite lembram a Bahia
Orgulho e força, marcas do meu guia
Conto contigo contra os perigos
Contra o quebrando de uma paixão
Deus me perdoe essa intimidade:
Jorge me guarde no coração




Que a malvadeza desse mundo
É grande em extensão
E muita vez tem ar de anjo
E garras de dragão
(Moacyr Luz e Aldir Blanc)


quinta-feira, 17 de abril de 2014

MEU AMOR AO FILHO PRÓDIGO Dedicado a todos que partiram de suas casas


Vai...  
Cuida bem de tua vida
Se aprendestes a  amar, então amas
Se aprendestes a servir, então sirvas.
Mostra tua face, tudo que és
No desconhecido que agora buscas.
Seja prudente.

Vai...
Leva contigo o que te pertence
Lembras com carinho
Que eu também sou teu.
A idade da liberdade é a mesma da responsabilidade,
Quando não o é, envelhece-se e arruína-se mais depressa.
Quero ser cúmplice de um vôo responsável
Mas se o mesmo não o for
Quero também ser colo e alivio para a dor da queda.

 
Vai...
Prefiro a tua ousadia em desatar os nós
E ir em busca do que ainda não existe.
Prefiro a tua iniciativa “cega”
Teu vôo sem destino pelos ares desconhecidos.
Prefiro tua coragem para enfrentar a caverna
Que outros não ousam aproximar-se.
Admiro tua decisão de ver um rastro de claridade
E dali almejares uma dimensão grandiosa.
Prefiro tua possível cara quebrada, sangrada.

Prefiro tudo isso a essa condição inexpressiva
De quem permanece no comum da vida
Seco.
Vazio.
Sem as novidades das tentativas
Sem as perspectivas dos ensaios e erros
Rotineiro.
Mecânico.

Num eterno caminho sem horizontes.
Como árvores sem galhos
Seca
Sem o pouso das aves
Para seu instante de canto e festa.

Vai...
E quando voltares
Seja como estiveres
Sei que acima de tudo
Te agradecerei a ousadia
Que nunca te fará estancar a vida

Teu Amigo

Gilson Reis
17.04.14