segunda-feira, 25 de abril de 2016

HOMENAGEM AO AKINS KINTÊ


http://www.doladodeca.com.br/v0/wp-content/uploads/2010/08/akins-kinte.jpg


Gosto de homenagear os amigos! Estão vivos, podem se deliciar do que falo, com “questionável” modéstia dizerem: Ah! Bobagem, não é nada disso, você é que é uma “gracinha”! Gosto de dizer o que sinto. Sem autenticidades inconvenientes!

Minha mais recente homenagem foi ao Laudecir, ocasião em que me deliciei com o grito de suas veias poéticas! Arranquei delas todas as expressões dedicadas ao querido amigo.  

Hoje eu homenageio este Poeta Negro que, ao recitar, embeleza as palavras cujo tom casa-se com seu sentido, na sua mais perfeita harmonia. O aprecio recitando! O vejo tatuando a paisagem com seus versos! É como se, ao lançar versos para alem de sua boca, construísse uma paisagem à sua frente, para o deleite de quem os ver.

Este é o Akins Kintê.

Obra apreciável da “família” Coletivo Cultural Pegando o Gancho. Família é um sentimento que ele nutre pelo Coletivo, o que lhe torna ainda mais nobre. Quando se adota uma família é por que a liberdade e o afeto foram sentimentos construídos historicamente. Diferente da família onde nos descobrimos parte.
Brilha na sua simplicidade!

Canta ao recitar... recita quando canta. Nele há um misto de alma e corpo, razão e emoção que se embalam na sintonia entre o som que se despede de si para encontrar-se com os amantes e o olhar que agasalha o mesmo brilho simples e que se firma como uma ponte entre os seus olhos e os de quem o aprecia.

Quando cordialmente “cola” no sarau Pegando o Gancho, alforria os corpos mais encouraçados com sua poética erótica! Poe os versos para dançar! Dignos de aplausos! Abraça! A...Fe...tu...o...sa...men...te. Rir! Compartilha lágrimas! Liberta outras!...

Ao querido Akins, a merecida homenagem do Coletivo Cultural Pegando o Gancho

Gilson Reis, Laudecir Silva, Marli Pereira, Luiza Odete e todos os amantes da POESIA.

No mês de aniversario do Coletivo Cultural Pegando o Gancho, continuarei homenageando os amantes da Poesia.

Gilson Reis
04.10.12

25.04.2016
Nova publicação

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

MARLI

Fala sério se não é massa ter uma amiga de verdade!!!
Ah! eu me deleito nisso!
Deleite é um tipo de gozo em que o gozador, ou deleitador, se lança por entre as curvas do vento e até mesmo o vento entra neste estado de graça.

Graça é uma experiencia de sentimento que extravasa a alma! É como se a alma saisse em correria para o nada, por que onde não há nada é que existe a perspectiva de gerar tudo... 

é... 
por que onde há tudo eu não me caibo mais.


65 anos é pouco para esta mulher caber! 
Ainda leva alma e corpo na direção do nada e eu fico, numa contemplação graciosa e aguçada pra viver do gozo que a mesma sente. As vezes gozo junto e é de um orgasmo que arranca a pele do corpo e a renova. Que veste a alma de nova aura e vai alimentando o nada...


Marli: A mulher do ano!
Título que só pode ser outorgado a quem sente a alma pulsar e se delicia com ela através do corpo que canta, dança, fala, grita, escuta, ama, libidinosamente...

Tenho 45 anos, 20 a menos que tu. E quero continuar mergulhando no nada contigo pelos anos que desejares, ainda que não queiras viver para sempre... como eu quero.



65 cheiros e seus respectivos aromas...


Gilson Reis
01.12.2015

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

LAMA

(Em memória das crianças mortas pelo homem através da lama...)




De tua lamas
Gritam vozes infantis
Mamãe! Mamãe! Tenho medo...
Gemem as dores enlameadas
Choros engolidos
E lágrimas endurecidas
De tuas lamas a navalha
Cortando a alma
Lama que me cobre a face
Arrasta de tuas infelizes infâncias
A  impureza dessas larvas frias
Arranca de teu ventre
As  dores dessa mãe que jaz, viva
Vomita de teu estômago hostil
Os dejetos mortos  que eu quero
Enterrar!!
Eu quero enterrar!
Eu quero enterrar!
Não deixeis jogados neste mar fedelho
As esperanças deleitosas dos agonizados
Nem expostos ao vento inerte
Os corpos ainda salivantes de desejos
Oh! Fé, transformada em fel
Fé simples, Simplesinha
Junta essas lágrimas enrijecidas
Ao sangue quarado de teus inocentes
E nos pôe no  colo...
E nos faz ninar...
E nos acalenta...
Nos acalenta...
Gilson Reis
                                                                         22.11.1

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Agradecer!



Estimadas (os)
Educadoras (es)


Nossa reverencia à beleza!
Ao belo das horas intensas de aprendizagem
Do olhar ainda 
ingênuo de um Adolescente
Nas cores de uma ilustração simbólica.

Nossa reverencia à beleza!
Ao belo das descobertas do outro
Da primeira letra tatuada na memória
Da primeira palavra geradora
Do primeiro som 
libertando palavras 
conscientes.

Nossa Reverencia à beleza!
Ao belo das horas cansadas
Para a motivação dos aprendizes
Das leituras sonolentas
De outras práticas mais atentas
Enchendo a vida de experiências

Educadores...
Nossa reverencia à beleza!
Ao belo de educar!
Ao educar com beleza!
No travesseiro de letras e números
Descansa essa tua cabeça pensante.
E dorme o sono renovador.

Nossa reverencia ao belo.
À beleza das fronteiras vencidas!
Dos limites superados
Para a descoberta de outros
E o principio constante do aprender...


“Sorri, quando a dor te torturar...”
Aprendes com Charles Chaplim
A dimensão vagabunda do aprender
Sem um destino definido, pois tudo é história
Mas plena dos sonhos mais sublimes.




Gilson Reis


24.12.2014

domingo, 14 de setembro de 2014

EDJA, NOSSA BABETTE DE CAMARAGIBE



Uma comida para ter gosto bom, há de ser a realização culinária de um sonho. A culinária é um triunfo da vontade amorosa. Ela obriga a natureza, indiferente, a fazer amor conosco. A Cozinheira também deseja nos dá uma grande felicidade. Para isso ela existe. Essa é a sua arte. Sua bíblia é o Kama Sutra da boca, as infinitas maneiras de se fazer amor com os lábios, com a língua, com o nariz, com as vísceras.

Assim era a Babette... Assim era EDJA: Sabiam os segredos do prazer pela comida. Realizavam, na prática, aquilo que os psicanalistas anunciam na teoria: é o “princípio do prazer” que estabelece o programa para nossa vida. O conhecimento é guardado ao lado daquela panela de barro sobre o fogão, que só tem sentido pela RABADA que dentro dela está fervendo. A panela é um meio. A RABADA é o fim. O saber é um meio. O sabor é o fim.


EDJA, como qualquer NORDESTINA ARRETADA gostava mesmo é de Banquete. E banquete é sinônimo de partilha, sinaliza o desejo de estar junto. Mas um estar que se alimenta do alimento de cada um. Dos temperos que gostamos, das receitas que apreciamos, doces ou salgadas, e até sem doce e sem sal. No entanto, banquete não é só de alimento, mas de vontades! Intenções! Sonhos!  Banquete de corpos e mentes em desejo!

Rubem Alves, em seu livro Variações sobre o Prazer, fala, deliciosamente, acerca do ato de sentir, e defende que as cozinheiras trabalham com efeitos sensíveis: O prazer tem de ser gostoso; o prato tem de ser cheiroso; o prato tem de ser bonito; o prato tem de ser excitante ao tato – por isso a pimenta, o cuidado para que não fique nem mole nem duro demais -. Quando uma cozinheira pensa-cozinha ela leva em consideração a totalidade dos efeitos práticos que o prato que ela está preparando irá ter sobre aquele que vai degustá-lo. E finaliza dizendo que todos os sentidos, sob a primazia da boca, se juntam para produzir o prato imaginado.


Assim diria Babette, cozinheira revolucionária do belo filme “A Festa de Babette” e EDJA, Cozinheira revolucionária da bela vida digna de aplauso!!. O que há em comum e impactante nas duas nobres cozinheiras é exatamente a sua percepção culinária pautada na revolução dos sentimentos, o que, conseqüentemente, gesta no ventre dos degustarores, novos desejos, vontade de mudança, novos sentidos e significados, novos encontros, com novos toques, proximidade, olhares afetuosos e libidinosos, uma verdade que se escondia por trás do “encouraçamento” familiar, social...

Se me disserem que o banquete se inicia na cozinha, com as panelas, fogões, utensílios, ingredientes e temperos, eu direi que estão errados. O banquete se inicia com uma decisão de amor.

Babette, com pena das pessoas mirradas e mesquinhas que a inveja e o ressentimento tornara insensíveis, na aldeia em que vivia, prepara um banquete que lhes daria uma experiência inesquecível de prazer, beleza e generosidade.

EDJA, possuída por um desejo de prazer, preparava os  “sabores que lhe permitissem fazer, na mesa, o amor que desejava fazer na cama”.  Sonhava com os feitos que os sabores produziriam no corpo de quem comesse. Não queria matar a fome. O que ela desejava era fazer amor com quem come, através dos sabores.

Quando a fome está satisfeita, o festival de amor chegou ao fim.



Eterna EDJA...