quinta-feira, 7 de março de 2013

LUISA E JORGE


Gente da melhor qualidade”!

Esta é uma expressão muito corrente entre os amantes da poesia que participam do Sarau do Coletivo Cultural Pegando o Gancho. Não seria outra a expressão para qualificar minha amiga e meu amigo Chilenos, Luisa e Jorge. Quando estive no Chile, em janeiro, com Rosa e Adilson, queridíssimos de Recife, conhecemos duas brasileiras (Como brasileiros são afoitos heim! Uma espontaneidade sem igual!) Alessandra e Sueli, que foram a mais bela ponte para o encontro com o casal. Tudo conspirava para o prazer! A natureza já havia escrito que a partir daquele tarde viveríamos momentos deliciosos. E assim o foi.

Luiza convidou os ainda “estranhos” amigos para ir à sua casa. Sim, como entender que em tão poucos movimentos do relógio, estaríamos degustando um agradável chá com especiarias chilenas?. Eu já era todo encantamento com aquele gesto tão acolhedor. Gosto disso, aprecio delicadezas como a de Luisa e Jorge.

Naquele dia fomos a um bairro chamado Bela Vista e ali ficamos tomando cerveja e sorvete em frente ao Restaurante “Como água para Chocolate”. Que deliiiiicia!

No domingo seguinte, mais um convite. Sueli e Alessandra viajariam de volta ao Brasil e o casal resolveu fazer uma despedida. Chegamos em sua casa por volta das 11h. Que horas saímos? Pois é, saibam que quando eu, a Rosa e o Adilson gostamos das pessoas, queremos curti-las ao máximo! E assim sucedeu-se. Começamos pela Cerveja bem geladinha, Luiza nos agraciava com petiscos, dentre eles a azeitona verde sem sal, Jorge nos saudava com belas músicas brasileiras que apreciava, ele e Adilson eram só gozo e prazer diante da beleza da musica popular brasileira! Juntos, almoçamos aquele gostoso e rico peixe assado na brasa, legumes, pão e o inesquecível “pevre”, especiaria chilena que conquistou mais um fã.

Deu tempo para um cochilo. Dormi um pouco, mas a sensação era de que minha pressão havia baixado (Como meu amigo Laudecir bem sabe). Sueli e Alessandra partiram por volta das 16h. Nós ficamos. Que folga heim!! Afinal de contas ainda tinha o Chá da tarde regado a um agradável diálogo sobre educação, questões de gênero, orientação sexual, cultura chilena e brasileira...

Luisa e Jorge são daquelas pessoas que sentem prazer em serem gentis. Raro? Talvez! Segundo pesquisas no Chile, o povo de Santiago são os menos amáveis do país. Eu, Rosa e Adilson não tivemos o desprazer de conhecer os menos amáveis. As pontes só desembocaram naquilo que há de melhor entre os seres humanos chilenos. Luisa e Jorge são referencias desta qualidade do humano!

Bem... já que estávamos ali... ficamos para o Jantar! rsrsrsrsr!

Queridos amigos e queridas amigas brasileiras... Luisa e Jorge se tornaram grandes amigos, vieram para o carnaval de São Paulo, os acolhi por dois dias em casa. Que prazer!



Termino esta homenagem lembrando o que a Luisa nos falou em meio à beleza daquele domingo: “Minha casa é a embaixada brasileira no Chile”. Que nobreza de hospitalidade!

Ui Luisa! Os meus amigos agora vão querer ir para sua casa quando viajar ao Chile. Rsrsrsr.


Muito obrigado caros amigos Chilenos!
Parabéns pelos seres humanos que são!

Dia 08 de março é o dia Internacional da Mulher. Te homenageio, junto a tantas outras mulheres com a  mesma qualidade que tens... e que eu muito aprecio!

Gilson Reis
07.03.13

segunda-feira, 4 de março de 2013

A Mulher Brasileira no Dia Internacional da Mulher







Esta semana celebramos no dia 08 o Dia Internacional da Mulher, mas uma oportunidade para refletirmos sobre o papel e a situação da mulher em nossa sociedade. Já avançamos muito. Já podemos listar conquistas, fruto de anos de luta daquelas que não aceitaram o papel que lhes era imposto. Porém, ainda há muito que fazer e conquistar para sermos realmente valorizadas em nosso potencial. Por isso trago hoje um painel que nos ajuda a entender a realidade de discriminação que ainda hoje a mulher enfrenta. No Brasil, historicamente a mulher foi preparada para atividades domésticas e submissão aos homens. Somente na década de 1930 conseguimos o direito ao voto. No mercado de trabalho, sobretudo na iniciativa privada, ainda ganha menos que os homens na mesma função. Na política, o Brasil é um país que tem um dos menores percentuais da presença feminina do mundo. Países historicamente patriarcais, hoje tem uma presença da mulher na vida política muito maior do que no Brasil. A violência contra a mulher, embora tenhamos avançado muito com a Lei Maria da Penha, ainda é grande, seja física ou moral; em casa, no trabalho, na rua ela ainda sofre todo tipo de violência. Em muitas delegacias ainda enfrenta piadas e desprezo. Na família ainda são as mulheres que ficam com os atributos domésticos, mesmo quando trabalham fora e estudam. Ou seja, acumulam duas ou três jornadas. Hoje também, o chefe de família de milhões de lares no Brasil, é a mulher. Seja porque optaram por cuidar sozinhas dos filhos, ou por ter sido abandonadas pelo marido. Estamos presente em praticamente todas as profissões. Nos postos de trabalhos mais inusitados lá está uma de nós, com unhas e lábios pintados, desempenhando uma função até então dita de exclusividade masculina, como a de capitã de navio ou em um canteiro de obra da construção civil. Temos uma presidenta – a primeira Chefa de Estado em toda história do Brasil. Impensável até bem pouco tempo atrás. Mas não nos enganemos, estas conquistas atingem um número muito pequeno de mulheres. Precisamos continuar lutando para garantir que um número cada vez maior possa usufruir de seu direito. Por isso, convido a todos, mulheres e homens, para ao longo desta semana, refletirmos sobre o que ainda falta muito para sermos tratadas verdadeiramente com respeito. Porém o painel da situação da mulher no Brasil só fica completo quando destacamos a pessoa da mulher negra. Aí o painel fica gritante. Também esta parcela da população já contabiliza muitas conquistas, encontramos a mulher negra em praticamente todas as áreas profissionais, mas num percentual muito pequeno.  O processo de coisificação e de discriminação que a mulher negra passou e passa fica se reflete nas muitas vezes em que lhe é negada a oportunidade de trabalho digno ou que lhe impede de avançar em sua formação escolar. Ainda hoje, nesta parcela da população feminina encontramos os mais baixos índices de escolaridade e os maiores índices de violência doméstica. A sociedade brasileira tem uma grande dívida para com a mulher negra. Então, ao pensarmos na mulher e seu papel em nossa sociedade, reflitamos sobre a mulher negra, porém, lembremos que para mudarmos isto, é preciso rever nossa história para escrevermos uma nova trajetória para as mulheres do Brasil. Mas falar da mulher é falar também do canto, da dança, da beleza, da alegria, do sonho, da fé, da garra, da coragem, do sorriso e da também de poesia. Por isso minha homenagem a todas as mulheres, na pessoa da mulher negra, que diariamente segue em frente, tecendo seu destino, mas crente que o amanhã será melhor, porque faz a diferença em nossa sociedade. Ela que alimentou a tantos e que jamais deixou de lutar é minha homenageada na Semana da Mulher. Para isso trago uma poesia do poeta Oubi Inaê Kibuko. In: Canto á Negra Mulher Amada, SP, 1986, porque nesta luta muitos homens são companheiros, e estão celebrando conosco nossas vitórias.

Mulher negra, negra mulher,
Astuta e valente companheira
Mesmo vivendo, em anônimas trincheiras
Manténs ativa tua força guerreira.

                                           Mulher negra, negra mulher
No teu sorriso encontro alegria
No teu corpo compartilho amor
Tua fé me enche de esperança
Tua amizade me enche de calor
Teu carinho cura a minha dor
Transformando-se em chama
Que aquece e ilumina meus caminhos...
Em tempos frios e cinzentos.
Seja nossa união malunga
Milhões de lanças erguidas
Contra os leões mil
E os nossos braços, sementes e frutos
Transformem num imenso Quilombo
As terras deste nosso Brasil
Cavado e edificado com os ossos dos nossos ancestrais.
Mulher negra, negra mulher!

 

 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

NÃO GOSTO DAS NUVENS


Abrindo espaço para os sentimentos dos amigos e amigas, convidei o Poeta Zezinho para expressar sua veia poética através deste Poema.

 
Não gosto das nuvens
Aquelas que impedem o brilho da lua
Também detesto o sol
Quando me queima a pele
Ao sair pelas ruas
Às vezes adoro a chuva
Sentir-la cair no chão
Tornar verde a relva
E aromar a terra
Não gosto de sentir dor
Nem ter que falar de amor
Ouvi uma canção fúnebre
Não quero ser chamado
A dar explicações fúteis
No juízo final
Tampouco fazer perguntas
A quem quer que seja
Só para me sentir bem
Gosto da vida
Assim como há de ser
Zombar do amigo (a)
E receber-lhe um abraço
Quero andar pelas calçadas
Na noite iluminada
Apenas pela minha imaginação
Sentar no banco da praça
E contar estrelas
E se aproximar alguém
Que seja alguém interessante
Para que me conte uma história
Sem presa...
Sendo a noite...
Nossa única companhia
Gosto mesmo é da vida
Assim como há de ser
Não gosto de água da piscina
Dar-me impressão de afogamento
Que prende o grito sonoro
Prefiro as cachoeiras
Espelham-me a liberdade
Lava a alma
Não gosto de música
Prefiro as canções
Que me fazem descobrir
Mundos distantes
Gosto demais é da vida
Assim como há de ser
Cutucando a esperança
Não gosto de Parmênides
Seu ser inerte
Admirável é Heráclito
Do movimento intenso
Me deixa inquieto
Não gosto da razão
Mesmo que dela tire
O sustento da argumentação
O coração também
Tem suas certezas
Há de quem ir contra elas!!
Não gosto de minhas pernas
Quando tenho que andar tanto
O preferível é o caminho
A me deixar lembranças
Nem gosto do meu soluço
Quando entalo
O gostoso é o suspiro
Atrás da orelha
E do coração amado
Não gosto de me ver sozinho
Se a multidão está na rua
Gritando
Quero ser parte
E do todo construir
Gosto do presente
Que o passado está junto
E o futuro sempre latente
E mais ainda da vida
Assim como há de ser
Diferentemente
Como os dedos da mão
Mas vivo acolhendo
Com um abraço o outro

Zezinho
28.02.13
Parabéns e Obrigado amigo!


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Há uma rosa vermelha para Ariana !!!

No último sábado houve sarau em minha casa. Recebi amigos pra lá de especiais, mas gostaria de destacar a presença de Meu Amigo Mestre Julião (Capoeirista), que conheci durante minha passagem como Educador pela Fundação Casa. Confesso que conheci poucas pessoas na vida com tamanha grandiosidade humana. Olha que conheço muita gente boa! As atitudes do Mestre, dentro e fora da Fundação, enquanto educador, era um ensinamento a todos. Julião é daquelas pessoas que sua presença e atitude fala por si. Suas atitudes são Atos de Conversão para quem presencia. (Ainda agora emocionado com olhos cheios de lágrimas de lembrar...). 

Contei também com a presença do amigo Guiga Andrade, que assina o texto que segue.

Cheguei apressado naquela noite de mais um Sarau “pegando o gancho” na casa do amigo Laudecir. Recebendo-nos na sala verde de esperança e muito convidativa. Uma casa cheia de energia poética e sentimentos presentes em torno de um prosaico poeta Vinicius de Moraes. O tempo convergia para as apresentações de veteranos e calouros imberbes na poesia, mas doutores na vida.
No decorrer da noite poética, houve um acontecimento seguido de farpas e espinhos e lições de humildades entre duas rosáceas poderosas.  A vermelha, com seu poderio esnobe, porém de plástico (coitada) e a branca com sua modéstia sem fim não se dando conta de seu Criador.  Depois de um dia agitado com chuva, sol, trânsito, pessoas, descanso quase nunca, deparo-me com uma rosa atrevida da cor de carmim, Nossa como tu és bela!!! Mal sabe ela que sua origem é o plástico. Da melhor qualidade?  Sua rival uma belíssima rosa branca, ainda sobrevivendo às intempéries da natureza, chuva, sol, adubo e enfeitando belíssima cerimonia de enamorados em qualquer data do calendário mais próximo.  Sendo ovacionadas na pessoa de meus amigos Spel Lorca e Laudecir.  Como se não bastasse, as duas regadas a vinho, quitutes e convidados faceiros e tímidos, num recinto aconchegante, preparado pelos deuses poéticos e um anfitrião emotivo, sensível (me surpreendeu). Gentil como sempre recebendo a todos com seu carisma nato. A pedante rosa da cor de carmim no seu  exuberante  magnetismo, é recebida pelos poemas de Vinicius de Moraes  digeridos pelos afoitos leitores em suas participações  nostálgicas. Porque hoje é sábado!
Foi então que vibrei havendo em mim um furor poético das noites de Sarau do Brás de 10 anos atrás ainda profundamente vivo.  Só então no brindar das taças de Baco, comemorando a vida, a capoeira, a amizade, entre outros pedidos, aventuras no Chile, lembrei-me de momentos felizes neste grupo. Fechei os olhos do coração e ouvi as taças tilintando e imaginei as folhas caindo, os rios correndo, os troncos pulsando, as flores se  abrindo sendo  visitadas pelas  borboletas multicores refletindo o olho da coruja presente. Um brinde ás rosáceas vermelhas e brancas de todo poeta. Um brinde à Ariana, a mulher. Porque hoje é sábado.                            (Guiga  Andrade)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

“Uma dívida, muitas dívidas – os afro-brasileiros querem receber”,


Retomando minhas publicações semanais neste Blog, ciente que estou em dívida com o mesmo – há tempo estou ausente – vou publicar, a partir da próxima semana, resenha do livro “Uma dívida, muitas dívidas – os afro-brasileiros querem receber”, obra do Atabaque – Cultura Negra e Teologia, grupo multidisciplinar e inter-religioso de pesquisadores (as) negros, das várias áreas das ciências humanas. Este Grupo tem como objetivo principal analisar e pesquisar a situação e a contribuição da população afrodescente ao longo da história do Brasil, da América Latina e Caribe. Esta publicação foi feita por muitas mãos, ou seja, é formada por pequenos artigos que abordam as várias dívidas do Estado brasileiro para com a população negra. Foi impressa pela Editora Loyola, São Paulo, em 1998. O resumo biográfico dos autores acompanhará a resenha do artigo. Na Apresentação desta obra, Pe. Antônio Aparecido da Silva, nosso querido Pe. Toninho lembra que a “escravidão é, por certo, uma dívida impagável. Entretanto, é necessário que a sociedade como um todo e seus dirigentes em particular, tenha a consciência do dever e responsabilidade para com aqueles e aquelas que tendo sido vítimas de tão horrenda situação, carregam até os dias de hoje marcantes consequências. É preciso, sobretudo, buscar soluções para os problemas que emergiram desde o regime escravista de total submissão e que ainda perduram, gerando cada vez mais exclusão. (...) Os vários aspectos da dívida do Brasil para com a comunidade negra, são abordados e analisados nesta sugestiva e (ainda) oportuna publicação. O que se espera é que a sensibilidade despertada possa concretizar-se em projetos de “política e ações afirmativas”, que embora não eliminem a dívida contraída, corroborem para a devida inserção do negro na sociedade e no pleno exercício da sua cidadania.” Veja você que, hoje, fevereiro de 2013, existem muitas ações afirmativas que visam reverter à situação mostrada no livro, porém ainda nos deparamos com o desconhecimento da real necessidade dessas ações, o que provoca discussões totalmente desfocadas. A publicação semanal, certamente ajudará a esclarecer o verdadeiro motivo das Ações Afirmativas em prol da população negra brasileira, que ainda é a mais pobre entre os pobres, e aqueles e aquelas que superaram esta situação, diariamente sofrem discriminação e exclusão.