sábado, 19 de julho de 2014

EU, ENVELHECENDO COM RUBEM ALVES


Houve um tempo em que a leitura da poesia, filosofia e estética Rubem alveana era, pra mim, a graça em seu estado de ternura inquietante. Eu me debruçava por entre os seus versos floridos de Ipê amarelos, rosas, brancos, somente para me cobrir de uma beleza a mais serena e mais vital.

Eu entendia a vida como um mergulho na poesia de Rubem Alves que lida com a mesma como quem se deleita por sobre sangue e se embriaga dele.

Alguns outonos depois, selecionando textos e livros poéticos para o aniversario de 9 anos do Coletivo Cultural Pegando o Gancho, me ocorre abrir algumas deliciosas páginas do livro As cores do crepúsculo: A Estética do envelhecer. E eis que o reencontro acontece me envolvendo de saudade, assim mesmo, como o Poeta diz: A saudade deseja que tudo seja um eterno retorno. Assim, de uma saudade desejante de eternidades...



Me coloco diante desse encontro como uma gestação de dentro de um novo ventre! Mas gerindo-me no estágio de envelhecer, sinto que desejo nascer velho, não para fazer o inverso, voltar a uma infância quase inútil, mas para me distanciar do ato de morrer.

Sim!

Eu antecipo a velhice para sentir a morte mais distante.

Essa descoberta, realizada no mergulho poético com Rubem Alves, é uma ode a vida, acho que envelhecer mais jovem me arranca a sensação da tristeza por que tristeza é juventude fúnebre.

Boa ideia.
Gilson velho.
E já!

Por que velhice é crepúsculo, eu me apreciando como uma eternidade-saudade, digno de eternidade-presença por que insano diante da vida que se despede vazia ou que nao se despede por que negada sua orgia vital.
Esta reflexão não tem fim.
Me sintonizo com a saudade e o seu desejo de eternidade.
Tenho a velhice inteira para continuar degustando a página atual que leio.

Gilson Reis
09.11.11 - 19.07.14

terça-feira, 10 de junho de 2014

ILEWÁ AFETO E A LEI MENINO BERNARDO

Foi aprovada a Lei do Menino Bernardo, conhecida estranhamente como Lei da palmada. Ai encontrei este texto escrito em 2011 quando meu sobrinho era picoxotinho...sinto que tem sentido o que escrevi, agora neste contexto da lei...


GRATIDÃO AFETUOSA DE UM BEBÊ...

 

Querida Mamãe!
Querido Papai!

“Primeiro do que tudo”... ainda sou bem pequenininho pra entender da beleza dos gestos. Por enquanto meu tio Gilson, como que psicografa o que este ser frágil, seu filho, está louco pra expressar. Sinto que, em breve, vou descobrir dos valores e das “maiomotas” dessa gente toda, por enquanto eu vou sentindo pelo cheiro, ou pelo olhar pequeno, ou pela quenturinha do corpo, que as pessoas, cada uma, tem a sua própria maneira de ser, ver e sentir.

E, portanto, cá estou eu papai, mamãe, pra dizer que com meus ouvidos miudinhos já ouvi alguem falar da grandeza do ato afetuoso que tiveram por mim quando eu apenas escutava no limite do meu pequeno território aquecido. Ouvi dizer dos meus irmãos que nao puderam ver e sentir o quanto são belos! Sou um grande privilegiado? O que é ser privilegiado mamãe? O senhor é privilegiado papai?

Ouvi dizer que mamãe descansou muito antes de “descansar”. Hum! Afinal que palavra é descansar? Me intrigava os movimentos minimos de tantos meses, mas, sem saber do mundo aqui fora, me contentei, no meu cantinho quente, em apenas me sentir aquecido e parado.

 

Acho mainha, que quando sentia a barriga mexer, nem imaginva que, de tanto descanso, talvez eu já quizesse um pouco de cansaço. O que dizia painho? Ouvi dizer que os painhos sempre dizem que os filhos vao ser um tal de jogador de futebol. O que é isso? Eu vou ser jogador de futebol? O papai é jogador de futebol?

Eu queria saber de que jeito é que uma figurinha miudinha como eu, pode expressar que tudo que fizeram por mim foi a “saudação da primavera”! De que jeito eu me movo pra expressar que, o que fizeram é a beleza na sua forma mais intensa! De que jeitinho uma criaturinha frágil pode expressar que o que fizeram, foi a primavera toda florindo o outono, fertilizada pelas chuvas invernais e os mais belos raios de sol..

 

Eu quero logo aprender como se ama quem dedicou meses de gestação a alguem que ainda nem sabia como ser recíproco. De uma coisa eu sei, e o tio me falou que isso é orgulho... eu sei, que eu tenho um papai e uma mamãe sensiveis, inteligentes, educados, companheiros, perseverantes, fortes... nem sei o que significa tudo isso, escutei num tal de chá de bebê, quando muitas vozes pareciam querer expressar sentimentos sobre vocês. Acho que é assim o jeito de gente adulto expressar como ama alguem que sabe cuidar.

O que é sarau mamãe? Quem é essa gente toda que vocês me apresentam como um presente? Eu nem sei o que dizer, as vezes sinto gotas se despedirem de meus olhos como daquela moça ali quando fala do amor por vocês, as vezes sinto minha boca se abrir no cantinho e até os olhos brilharem... desculpe, é assim que me sinto diante de todos.

Estou cansado! Acho que é hora de parar. Hum! Sinto que foi assim com a senhora nao é mãe? Cansar... descansar ... descansar ... descansar... agora nem dorme direito, ouvi dizer.

 

Ah! Mamãe! Papai!
Eu queria saber de que jeito é que uma figurinha miudinha como eu, pode expressar que tudo que fizeram por mim foi a “saudação da primavera”! É a beleza na sua forma mais intensa! É a primavera toda florindo o outono, fertilizada pelas chuvas invernais e os mais belos raios de sol.. Eu quero logo aprender como se ama quem dedicou meses de gestação a alguém que ainda nem sabia como ser recíproco.

“Aqui termino só com a nossa vista” ...

Ilewá, por Gilson Reis, seu tio.

02 de Julho de 2011

Em 11.06.14

sábado, 31 de maio de 2014

NALDO - Saudade

Que me venha Cora Coralina! Venha! Eu também “não sei se a vida é curta ou longa demais para nós”! Certeza eu tenho que é preciso “Tocar o coração das pessoas”, e ai vive-se eternamente.
                                 
6 anos que o Naldo realizou a travessia para o mistério. Fio da P nem deu mais notícia! Deve estar ocupado com as travessuras que tanto prendia as atenções de quem o via travessurar. Permito-me inventar expressões, afinal falo de Naldo, cuja criatividade não cabia no coração mais largo. Eu travessurava com ele.

Hoje me peguei pensando o que teria vivido se estivesse cá... nada disso tenho como certo, afinal a vida, aqui, também é um labirinto de travessias e mistérios. Mas eu me imaginei sorrindo! Sim, a vida com Naldo só cabia dentro da magia do sorriso! Mas não só. Por isso me imaginei despedindo-se de lágrimas engravidadas! Sim! Por que a vida com o Naldo só cabia dentro do que era intenso e visceral! E tudo engravidava! Acho que parimos sonhos a dar de vista! Pois cada encontro com ele era uma oportunidade degustada com requintes de intensidade. Até no silêncio.

E eu também me imaginei mais feliz! Sim, por que apensar de questionar a felicidade, era dela que se servia no banquete das amizades. Não precisava de muitos motivos para vivê-la, afinal, como disse Carlos Drummond de Andrade, ser feliz sem motivo é a forma mais autêntica de felicidade. Sinto que é o mesmo que Guimarães Rosa expressa ao dizer que Felicidade se acha em horinhas de descuido.

Não sou mais feliz hoje, que há dois anos passados. Não se pode. Impossível! No mínimo, sou mais otimista. O pedaço de felicidade que o Naldo ocupava está ai...num vácuo que não se preenche nunca. A Alma de quem perde é visitada por uma tristeza profunda. Mas tristeza é inspiração desmedida! Como assim sentiu o Poeta Vinícius de Moraes que de-li-ci-o-sa-men-te escreveu e cantou que “Pra fazer uma samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, se não, não se faz um samba não...”. Invadido por tão expressivo sentimento, pode-se lançar-se a ele como um compositor apaixonado que se embriaga, perseguindo a beleza e, assim, a intensidade da perda guarda uma aprendizagem grandiosa.

Amigo é pra ser ter como preciosidade, portanto eterno. Pedaços deixados por eles não se ocupam! E agora nem importa entender! Clarice Lispector eternizou o sentido da existência quando registrou que não nos preocupássemos com o ‘entender’ pois, viver ultrapassa todo entendimento. A Poetiza do não entendimento fala da Rosa como “flor feminina que se dá toda e tanto que para ela só resta a alegria de se ter dado”

É isso, querido Naldo...
Obrigado pela alegria de se ter dado!

Gilson Reis

31.05.18

terça-feira, 27 de maio de 2014

CIDADÃO FISCAL

Meu caro Cidadão Fiscal
Que tanta informação é essa?
Não! Não faz mal! Não faz mal
Mas não leia com tanta pressa!

Meu nobre Cidadão Fiscal
A história é nossa identidade
Não! Isso não é carnaval!
É bagagem de qualidade!

Assuma!!
 
Mas se não for de qualidade
Meu pobre Cidadão Fiscal
Saiba que ainda há idade
Pra fazer o controle pessoal

Meu ingênuo Cidadão Fiscal
Cooptado pelo “fiscal na ativa”
Vives numa sociedade irreal
Ou numa Democracia participativa?

Renova Cidadão Fiscal!!
Desconstrói a ingenuidade
Acessa a informação essencial
Constrói controle de verdade!

 
Vem Cidadão Fiscal
Não sejas cooptado
Se não fores um ser eleitoral
O controle será controlado

Parabéns Ação Legal
Essa formação nos provoca
A ser Cidadão Fiscal
Que a Liberdade Evoca!!

Gilson Reis

27.05.2014


Ação Legal: Grupo de Trabalho da ONG Bom parto

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Branquinha de Ouro Preto

Nada do que vocês que não conhecem Ouro Preto estejam pensando. A Branquinha do título não é o nome de alguma cachacinha mineira. Branquinha é celebridade na cidade. Estrela de filme que o fotógrafo Lucas de Godoy acaba de lançar na internet.
O documentário que tem 27 minutos, tem como protagonista a cadelinha que foi adotada pelos moradores de Ouro Preto.
Branquinha encanta turistas e moradores com seu comportamento inusitado que é acompanhar sem falta, duas missas na cidade.
Sem que ninguém a conduza, chega na igreja no horário exato. E costuma acompanhar procissões também.
Basta passear por Ouro Preto para encontrá-la indo à missa na Igreja do Pilar