terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A ESPERA DO TOQUE

Se me falas do toque
A espera é uma certeza já presente
No instante daquele instante.

E as horas plenas de instantes
São servas deste instante maior
Onde o sentimento da saudade é degustado

Se me falas do toque
Meu olhar se lança fixo
E a espera é insana

E se o toque não toca
As horas pesam
E as imagens não escapam aos olhos


Ainda em estado de resistência sonolenta...

                                                                            Gilson Reis

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Entrei num navio, mas não de gaiata

Amigos enganchados,
enfim, a realização de um sonho.
Meu primeiro cruzeiro. De uma série que pretendo fazer.
Meu roteiro: Punta Del Leste, Buenos Aires e Montevidéu.
Hoje, em especial, menciono a cidade de Punta Del Leste, no Uruguai, país de Verônica, amiga para quem dedico esta postagem.
Além do clássico cartão postal de Punta Del Leste
a cidade abriga uma casa que inspirou Vinícius de Moraes: Casapueblo.
Corria o ano de 1958 quando Carlos Páez Vilaró descobriu o lugar sem árvores e sem caminhos traçados, sem luz e sem água. A construção inicial foi uma casa de lata onde Carlos armazenava portas, janelas e materiais para sua futura casa. Logo construiu "La Pionera", que era de madeira, que o mar trazia nos dias de tormenta. Em 1960 começou a cobri-la de cimento, somando habitações como se fossem vagões de uma locomotiva.
A maneira de escultura, moldou as paredes com suas próprias mãos.

A casa

Vinicius de Moraes

Era uma casa
muito engraçada,
não tinha teto,
não tinha nada.

Ninguém podia
entrar nela não,
porque na casa
não tinha chão.

Ninguém podia
dormir na rede,
porque a casa
não tinha parede.
Ninguém podia fazer pipi,
porque pinico não tinha ali.

Mas era feita com muito esmero, na rua dos Bobos, número zero.

Bem, amigos, quanto a viagem: Foi boa? Foi ótima. Balança? E muito. Os barcos estão seguros quando ancorados no porto, mas não foi para ficar ancorado num porto que se inventou um navio.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

“SAUDADE DO FUTURO”

Uma Alma apaixonada
Sente saudade do futuro
Mas sente no instante presente
Onde a expectativa da partida atormenta.

A paixão de uma alma
Em estado de saudade
Mistura-se à angustia de uma espera
Ainda, o amado, em estado presente.

A presença de um futuro
Onde a saudade já principia o sangue
E o futuro, já no presente
onde a saudade é chama.

Eu quero a minha vida aqui!!
E ele está...

Numa saudade do futuro presente.

Gilson Reis
20.02.14

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

QUANDO ELE VEM, CEDINHO

Cedinho
No friozinho preguiçoso da matina
Meu amor acena de longe
Onde os raios de sol levanta e desperta
Como “flechas de fogo”

O toque soou por entre os ares gelados
E o impulso me lançou à fonte
De onde os raios de sol escaldava
E meu amor me salda!
E a distância se explicita
Como carne viva!

E a saudade de novo se despe
E essa nudez é como verde da cana
Cortando a alma

O sentimento de sangue em corte
Se liquidifica
Ao do estado de graça
Por que o meu amor
adentrou meu recinto frio

...

mas o meu amor se foi
e de novo
um nevoeiro frio se alastrou
e a saudade...fiel companheira
era meu único cobertor.

Gilson Reis
13.02.14



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Por entre a janela de minha alma

Gilson Reis

Por entre a janela de meu ninho quente
desfilam pedaços frios de algodão
numa suavidade monástica
em contraste com o movimento das calçadas.

A garoa acena para o artista solitário
que a agradece
em forma de sons, cores e palavras.

Da paisagem branca que se afigura
por entre blocos de caixinhas agigantadas
O Poeta, em sua janela colonial, recita versos
que se perdem na distância de seu olhar.

Da paisagem sóbria que se adentra
por entre os corredores da gigantesca arquitetura

O Pintor, de sua janela emoldurada, esparrama sua tinta
que se mistura na feitura de sua abstração.
Da paisagem melódica e silenciosa
que se apresenta na distância do quarto
O Compositor, em sua alegre janela, entoa cânticos
que se lançam, esvoaçantes, no infinito cinzento.

Por entre a janela de minha alma
a garoa acena para o artista solitário
em forma de sons, cores e palavras.