sexta-feira, 1 de novembro de 2013
ODE AO GATO (Pablo NERUDA)
Os animais eram
imperfeitos,
compridos rabos, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco foram
arrumando-se,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, voo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
caminha só e sabe o que precisa.
O homem quer ser pescado, pássaro,
a serpente gostaria de ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro gostaria de ser poeta,
a mosca estuda pra ser andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser somente gato
e todo gato é gato
desde o bigode ao rabo,
desde o pressentimento ao rato vivo,
desde a noite até os seus olhos de ouro.
Ó fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, atleta
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
das habitações,
insígnia
de um sumido veludo,
certamente não há
enigma
em tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo te conhece e pertences
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos pensem ser os donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Sinceros agradecimentos a Bastian, meu gato, que não cobrou cachê.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Ser Professor no Terceiro Milênio
Finalizando o mês
de outubro, onde busquei refletir, mesmo que de maneira breve, sobre o ser
professor – professora na atualidade, e os desafios que esta sociedade impõe
cotidianamente a estes profissionais. Creio que neste momento, também nós
precisamos parar e refletir sobre nossa atuação. É preciso lembrar sempre que, os
“tempos de agora são outros. Não necessariamente melhores ou piores, mas
indiscutivelmente diferentes. Não mais basta acumular conhecimentos para depois
deles se usufruir. É, antes, essencial estar à altura de aproveitar e explorar,
pela vida inteira, todas as possibilidades do aprendizado, da atualização, do enriquecimento
para as mudanças que em todos os momentos nos assaltam. Enriquecimento é
importante que se diga, não apenas no sentido poético ou “platônico” do termo. Mais
que antes, conhecimento é hoje dinheiro, emprego, salário, material sonante que
conquista coisas, transforma mundos. Em uma sociedade como a nossa, que sempre
opôs ricos a pobres, incluídos a excluídos, se acrescenta também a oposição
entre os que se atualizam e os que param no tempo. Os professores do milênio
que nasce e os fósseis dos tempos que morreram”, nos diz Celso Antunes na
apresentação do livro de 2002, Como Desenvolver as Competências em Sala de
Aula. É urgente que professoras e professores façam uma reflexão sobre sua
atuação em sala de aula hoje. Nossos alunos são do novo milênio e nós, em que
milênio estamos? Teremos o respeito e a valorização que merecemos se insistimos
em manter atitudes fossilizadas, engessadas? Ou será que nos basta o conhecimento
adquirido no curso que fizemos a 10, 20, 30 anos atrás? Creio que os
profissionais da educação de hoje, precisam urgentemente ser valorizados como
foram nossos professores no século passado. Mas também é preciso que se valorizem
através da busca constante pelo conhecimento. Espero que no futuro, o mês de
outubro continue sendo o mês das crianças, de Nossa Senhora Aparecida, do
funcionário público, mas seja também e principalmente dos Profissionais da
Educação – dos Professores.
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