segunda-feira, 30 de julho de 2012

                              O Deslocamento dos Pretos do Rosário pela Cidade de São Paulo
Diante da Demolição da sua Igreja em 1904

Com a demolição da igreja, das casas e do cemitério em 1904, os irmãos do rosário se espalharam pela cidade. Alguns se agregaram aos moradores nas imediações do local da igreja demolida. Outros foram morar em bairros próximos ao centro velho, como a Barra Funda e a Bela Vista (Bixiga), bairros conhecidos como reduto de negros. Outros ainda foram para mais longe, para o bairro do Jabaquara, Casa Verde e Freguesia do Ó. Os argumentos usados pelos poderes públicos para a destruição da igreja e consequente dispersão dos seguidores da irmandade foram muitos. Um dos principais foi o projeto de valorização daquele espaço.  Estes projetos visavam, não só embelezar a cidade, mas, sobretudo “higienizá-la” para que seus habitantes tivessem um padrão de vida condizente com a nova sociedade que se formava. Mas, a destruição da igreja não destruiu a irmandade nem a identidade que ela tinha com a cidade. Muito pelo contrário. Diante da demolição da igreja, os irmãos pediram às autoridades eclesiais e públicas, um local onde pudessem continuar fazendo suas reuniões e atividades. Mas, desejam um local ali no centro, onde estão acostumados a viver.           Assim, foi cedido para eles um espaço na igreja de São Pedro que ficava ao lado da igreja da Sé. Neste local, a irmandade fez seus encontros até a inauguração da nova igreja no Largo do Paissandu, que fica do outro lado do rio Anhangabaú.            É importante dizer que esta área do Triângulo onde viviam os irmãos, foi totalmente reconstruída até a década de 10 do século XX. Na década de 20, a região já concentrava toda a vida social e comercial da cidade. As luxuosas lojas que existiam ali eram o ponto de encontro preferido da sociedade rica da época. É aí que surge a expressão fazer um “footing elegante”. O footing era feito nas principais ruas do Triângulo.      Em um dos depoimentos colhido durante a pesquisa, Nilza, irmão do Rosário a mais de 40 anos, diz que “os negros do rosário também faziam footing: “mas era só num pedacinho – da São Bento até a Quintino Bocaiúva. Eles iam para lá e voltavam e não saiam dali. Dali tinham que ir embora”.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

20 DE JULHO - DIA DO AMIGO

Desde muito jovem descobri o valor da amizade. Quando adolescente já cultivava bons amigos e isso foi acentuando à medida que os anos foram passando. Quando jovem em São Paulo, fiz boas amizades no bairro do Ipiranga onde morei por 3 anos. No Paraná nos anos 80 morei nas cidades de Jacarezinho e Engenheiro Beltrão e deixei por lá amigos que até hoje mantenho contato e fico feliz quando os reencontro. Uma vez recebi de um amigo que agora é Bispo de Campo Mourão um cartão com uma música dizendo que "a amizade sincera é um santo remédio, um abrigo seguro..." profundo isso. Aprendi a valorizar a amizade e os amigos. Uma vez ouvi de um diretor de um colégio que a relação com o outro é o que temos de mais valor na vida, pois é na relação com o outro que percebemos o verdadeiro sentido da vida. Outra vez foi o diretor da faculdade São Camilo que disse que se não nos relacionarmos bem com os colegas de trabalho estamos perdendo muito tempo de nossa vida, pois é la que passamos a maior parte de nossa vida. Assim por onde passo vou cultivando amigos, pois é assim que aprendi a ser mais feliz. 


FELIZ DIA DO AMIGO A TODOS.

segunda-feira, 23 de julho de 2012


VII Congresso Brasileiro de Pesquisadores)(as) Negros(as)
“Os Desafios da Luta Antirracista no século XXI
Durante esta semana, estive em Santa Catarina participando “VII Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) – COPENE 2012 que aconteceu na cidade de Florianópolis – SC, 16 a 20 de julho de 2012  e cujo tema foi  “Os Desafios da Luta Antirracista no século XXI”. Nesta edição foram homenageados: Vicente Francisco do Espírito Santo (in memoriam) e os professores Abdias do Nascimento (in memoriam), Lélia Gonzalez (in memoriam) e Kabengele Munanga. A Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) - ABPN - constitui um dos órgãos fundamentais da rede de instituições que atuam na sociedade brasileira no combate ao racismo, preconceito e discriminação racial, com vistas à formulação, implementação, monitoramento e avaliação das políticas públicas para uma sociedade justa e equânime. A instituição congrega pesquisadores(as) negros(as) interessados em pesquisas acadêmicas em temas pertinentes à construção e ampliação do conhecimento humano e outros pesquisadores comprometidos com temas de interesse das populações negras no Brasil, África e Diáspora. Nossa finalidade é o fortalecimento profissional dos nossos pesquisadores – homens e mulheres -, e a institucionalização dessa temática, considerando que o campo acadêmico dos estudos de relações raciais tem encontrado dificuldades para se afirmar no âmbito das Ciências Sociais e Humanas, dado o cerceamento de iniciativas e oportunidades aos e às que são vistos(as) como negro-negra que se dedicam à temática racial. A ABPN tem a MISSÃO de: “congregar e fortalecer pesquisadores(as) negros(as) e outros(as) que trabalham com a perspectiva de superação do racismo, e com temas de interesse direto das populações negras no Brasil, na África e na Diáspora, defendendo e zelando pela manutenção da Pesquisa com financiamento público e dos Institutos de pesquisa em geral, propondo medidas para o fortalecimento institucional da temática das relações raciais”. O COPENE tem como principal intenção apresentar e discutir os processos de produção e difusão de conhecimentos intrinsecamente ligados às lutas históricas empreendidas pelas populações negras nas Diásporas Africanas, emanadas nos espaços de religiosidades, nos quilombos, nos movimentos negros organizados, na imprensa, nas artes e na literatura, nas escolas e universidades, nas organizações não-governamentais, nas empresas e nas diversas esferas estatais, que resistem, reivindicam e propõem alternativas políticas e sociais que atendam às necessidades das populações negras, visando a constituição material dos direitos”. Participar deste congresso foi um momento muito importante, uma vez que pude presenciar o grande número de pesquisadores, mulheres e homens negros que estão pesquisando sobre o negro no Brasil e na África. Para saber mais entre no site: http://www.abpn.org.br/copene e saiba quais os principais temas apresentados pelos pesquisadores(as) nesta edição do Copene.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

BUCHADA DE BODE!


Quando cheguei no Aeroporto de Recife, logo enviei um torpedo (adoro torpedo!) para os amores da terrinha, dizendo: “Voltei Recife! Foi a saudade que me trouxe pelos braços”. Saudade de muitas pessoas, lugares, situações e do “tempero da gente”. Hoje vou falar deste tempero, mais especificamente, da culinária que, dentre outras coisas, deixou minhas férias inesqueciveis!

Chegamos, eu o Valteir, no inico do dia 06 de junho e, ao chegarmos na casa do Aurelio, meu irmão, deu-se início aos prazeres nordestinos com um bom pedaço de queijo coalho! Acho que comi quase dois kilos deste queijo durante as férias, na sua versao natural e assado! Após o descanso noturno, nada mais delicioso que um cuscuz com ovos, inhame e aquele pão bolachao que comia na minha infancia! Depois se seguiram outras delícias. Pamonha e tapioca de coco na casa da mamãe e, no sarau na casa da Ceça e Vilde, a Sula nos presenteou com uma saborosa galinha caipira com polenta. “Mas tem que botar a polenta primeiro menino, depois a galinha com o caldinho”. Disse ela. 

Na Ilha de Itamaracá, para os nativos, desgastada, para os visitantes, bela! Foi lá que almoçamos uma suculenta galinha à cabidela, pretinha, banhada pelo sangue da própria finada. Na Ilha, ainda comemos um peixe de sabor estranho, frito antes de cozido no leite de côco. Não gostei muto, mas ali tinha que comer peixe. Valeu pelo cenário que combinava perfeitamente com o prato!

Eu estava ansioso para comer carne de sol e na mesa de jantar ela ali estava para meu deleite, ainda acompanhada com inhame, era de lamber os beiços! Numa noite disposta à uma cervejinha, lá vao os botequeiros desbravar os sabores. Pimeiro foi a casquinha de siri, uma iguaria marítima que eu não apreciei. Depois o camarão empanado que eu desfrutei, mas era muito pequena a porção para sete famintos. Mudando de boteco, paramos numa esquina barulhenta e de arriscada higiene. Ali ficamos e nos acabamos de comer a porção de arrumadinho, a versao atual da multiplicação dos pães, pois encheu o bucho de 7 farristas e ainda sobrou pra o santo!

Férias em família não pode faltar uma típica comida que enche a mesa e os olhos, que torna-se objeto de curiosidade, “Vou passar na tua casa pra comer heim!” “Hummmmmm! Vou me acabar visse”!. Esse lugar coube às duas buchadas de bode que eu e Valteir fomos comprar no antigo mercado municipal de Camaragibe. À primeira vista não satisfaz os sentidos. O processo de preparação não é simples, a Sula, minha amiga, junto com a Cida, minha irmã, lavou tudo na água e no vinagre, cortou tudinho em picadinhos, costurou e deixou o tempero assentar até o outro dia. Já era domingo e os familiares e amigos vinheram de todas as partes para saborear a comida típica que nao pode faltar em nehuma festa pernambucana.

Saciados, fomos dormir para apreciarmos a tradicional Feira de Caruaru, na segunda feira, com grandes amigos e amigas, onde nos despediamos de uma das mais gostosas férias que eu vivenciei.

Ah! E ao chegar em São Paulo, depois de três horas de atraso no vôo, fomos agraciados com um abastado almoço compensatório, no Congonhas Grill. Ali já era a culinaria tradicional paulistana. Sentimento de estar em São Paulo, com seu friozinho, os movimentos acelerados, o abraço do afeto que espera, a noite chegando, sono cansado, despertador... e é hora de trabalhar.

“Voltei São Paulo! Foi a saudade que me trouxe pelos braços”

Cheiro de bolo de rolo!

Gilson Reis
19.07.12

segunda-feira, 16 de julho de 2012


A Irmandade do Rosário e sua Relação com a Cidade de São Paulo

A Irmandade do Rosário dos Homens Pretos era formada por negros forros e livres que viviam ao lado da igreja de N. Sra. do Rosário, que se localizava no Largo do Rosário. Os irmãos viviam do comércio informal de frutas, legumes, bem como da produção de batata doce, mandioca e pinhão, que eles mesmos plantavam, além da prestação de pequenos serviços domésticos. No mesmo local em que moravam, havia um cemitério onde enterravam seus mortos com rituais da cultura herdada de seus ancestrais. A presença deste cemitério contíguo ao templo sempre foi motivo de cuidados da parte dos pretos, tanto escravos como libertos. A irmandade do Rosário é uma associação de caráter religioso, cujo objetivo é reunir as pessoas devotas de Nossa Senhora do Rosário, bem como está a serviço para ajudá-la em todas as suas necessidades, materiais e espirituais. Enquanto instituição tem característica organizacional própria. É dirigida por um juiz, uma juíza, um rei, uma rainha e outros membros de menor categoria. Estes dirigentes promovem os eventos religiosos e sociais, tais como as procissões, missas, e danças: Congadas, Batuques e Moçambiques. No dia da Santa, havia festejos em sua homenagem. Estes festejos que aconteciam no Pátio do Rosário ficaram famosos e foram conservados até o início do século XX. Ao final da festa, os africanos e seus descendentes acompanhavam o cortejo, tocando instrumentos, cantando e seguindo o Rei e a Rainha até a casa onde seriam servidos brindes aos convivas. Em seguida, ao som dos mesmos instrumentos, voltavam à igreja para participarem da procissão de Nossa Senhora do Rosário. Outra atividade da irmandade que impressionava, eram as cerimônias de sepultamento dos membros da irmandade. Quando enterravam seus mortos, os pretos costumavam socar a terra com um pilão sobre o morto, enquanto cantavam em coro. Este ritual durava a noite inteira.  Porém à medida que a cidade se expandia, estas cerimônias foram rareando até desaparecer. Segundo Leandro Arroyo, “os pretos mantinham o culto desse cerimonial mesmo nos cemitérios, como é o caso desse campo santo que havia ao lado da igreja de Nossa Senhora do Rosário”. É importante frisar que estas atividades aconteciam onde hoje está a Praça Antônio Prado, que se localiza próxima a Ruas 15 de Novembro e início da Av. São João.