terça-feira, 15 de maio de 2012


DE RITA LEE A EMICIDA

No início do ano a cantora Rita Lee foi presa depois de realizar um show em Aracajú/Festival Verão Sergipe. Segundo os meios de comunicação, alguns membros do fã clube de Rita teria sido agredidos pelos policiais antes do show, mas a gota que faltava “foi quando os policiais fizeram uma corrente na frente do palco”.  Rita então disparou: “vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho”, e ainda uma torrente de impropérios “cachorros”, “cavalos”, “filhos da...”. Algumas autoridades, o governador Marcelo Déda, a ex-senadora Heloísa Helena, se manifestaram sobre o ocorrido. Para Deda a cantora teve uma atitude equivocada e desnecessária. Já Heloísa Helena foi favorável à cantora dizendo que sua reação deu-se devido à “truculência policial.”

No último domingo algo semelhante aconteceu com o Rapper Emicida, em Belo Horizonte, que também foi detido após o show. As letras das músicas de Emicida são em grande parte um grito de protesto, provocação, denúncia, etc., em relação às bandalheiras, roubos, falcatruas... cometidas por gente de “colarinho branco”, que conta com o aparato da justiça, do estado, em situações que por ventura possam haver alguns deslizes. O que não faltam são episódios ilustrativos, pauta diária dos veículos de comunição, assistidos pela população brasileira, muitas vezes em estado de letargia. O Rapper teria manifestado apoio ao Movimento Sem-Teto durante o show, referindo-se especificamente a uma Ocupação realizada na mesma região onde o show acontecia, cujo despejo havia sido realizado na sexta-feira, “com muita brutalidade, 350 famílias foram despejadas por um forte aparato policial, cerca de 400 homens”. Somado a isso, a música “Dedo na ferida” foi, também, a gota que faltava. “Na versão da Polícia Militar, o Rapper teria incitado o público a fazer gestos obscenos para os PMs e para os políticos.”

Segue a música Dedo Na Ferida e um vídeo, bastante ilustrativo.

Scratchs (pimenta nos zóio dos políticos)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (a fúria negra ressuscita outra vez)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (anota meu recado)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (primeiro eu quero que se foda)
Renan samam, emicida, o rap ainda é o dedo na ferida

Vi condomínios rasgarem mananciais
A mando de quem fala de deus e age como satanás.
(uma lei) quem pode menos, chora mais,
Corre do gás, luta, morre, enquanto o sangue escorre
É nosso sangue nobre, que a pele cobre,
Tamo no corre, dias melhores, sem lobby.
Hei, pequenina, não chore.
Tv cancerigena,
Aplaude prédio em cemitério indígena.
Auschwitz ou gueto? índio ou preto?
Mesmo jeito, extermínio,
Reportagem de um tempo mau, tipo plínio.
Alphaville foi invasão, incrimine-os
Grito como fuzis, uzis, por brasis
Que vem de baixo, igual machado de assis.
Ainda vivemos como nossos pais elis
Quanto vale uma vida humana, me diz?

É só um pensamento, bote no orçamento
Nosso sofrimento, mortes e lamentos,
Forte esquecimento de gente em nosso tempo
Visto como lixo, soterrado nos desabamento
Em favela, disse marighella. elo
Contra porcos em castelo
O povo tem que cobrar com os parabelo
Porque a justiça deles, só vai em cima de quem usa chinelo
E é vítima, agressão de farda é legítima.
Barracos no chão, enquanto chove.
Meus heróis também morreram de overdose,
De violência, sob coturnos de quem dita decência.
Homens de farda são maus, era do caos,
Frios como halls, engatilha e plau!
Carniceiros ganham prêmios,
Na terra onde bebês, respiram gás lacrimogênio.


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